1. Introdução
Bem-vindo(a) a este curso de aprendizagem da língua portuguesa através da escrita de ficção interativa. Vamos usá-la como um espaço de expressão criativa que te irá ajudar a:
- alargar o vocabulário e a não te esqueceres tão facilmente das palavras novas;
- aplicar o teu conhecimento da gramática da língua portuguesa;
- usar diferentes registos da língua (formal, informal, coloquial, popular, …)
- explorar a vida e a cultura dos países de língua portuguesa;
- sentires-te mais à vontade quando escreves em português;
- aprender uma nova forma de escrita, a escrita de histórias interativas;
- descobrir o prazer da escrita e da construção de histórias, tanto sozinha como com outras pessoas.
Há um longo e maravilhoso caminho à tua espera por entre os meandros e os fios da escrita interativa em língua portuguesa.
2. Ah… o que é isso da “ficção interativa”?
A Ficção Interativa (FI) é um cruzamento entre a literatura e um videojogo, e a primeira obra de FI, chamada Adventure, data de 1975 ou 1976, escrita/programada inicialmente pelo norte-americano Will Crowther. Em 1977, um outro programador, Don Woods, encontrou o jogo num computador. Obteve autorização de Will Crowther para o alterar e começou a expandi-lo sozinho, criando assim a versão final do jogo. Muitos consideram, incluindo o autor deste blogue, que Adventure é o primeiro jogo narrativo da história dos videojogos. Portanto se gostas de videojogos com histórias tudo começou com esta obra.
A FI é feita de palavras, como um texto em prosa ou poesia. Como estes textos, também precisa de um leitor que a leia e interprete, mas é também um jogo. Por isso, precisa também de alguém que a jogue, que faça escolhas para que a narração avance, e que descubra a história ou as várias histórias que ela contém.
Estes dois esquemas tentam representar, de forma simplificada, a grande mudança que ocorre na construção da ficção interativa. Repara como o papel do “leitor” e do “protagonista” passam a ter o mesmo representante:


Portanto, quando escreves uma história interativa, tens de te lembrar bem desta diferença. Do outro lado, está alguém que quer jogar, que quer descobrir um mundo novo e que quer sentir que é a estrela de uma história.
Como já podes ver, esta é uma forma de escrita diferente daquela que estás habitado/a a fazer e que exige uma nova aprendizagem: aprender a organizar a história, e também a aprender a trabalhar com um novo companheiro de escrita: o computador.
Escrever FI não é como escrever um documento no WORD. O WORD é uma ferramenta que se usa para escrever textos, que, na verdade, também poderíamos escrever à mão. Só que é muito mais conveniente em termos de organização, correção, planificação, etc.
Quando escrevemos FI, o computador não é apenas uma ferramenta, o computador é como um co-escritor, que, por um lado, nos limita e diz “olha, não podes fazer isso assim” ou “ouve, não consigo fazer isso”; mas que, por outro lado, nos permite criar novas formas de contar histórias e nos apresenta sugestões como “escuta, por que é que não deixas a pessoa escolher se quer ir trabalhar ou prefere ficar na cama?”
É por isso que, quando usamos o WORD, podemos dizer que escrevemos no computador, e quando escrevemos ficção interativa escrevemos com o computador. Claro que, neste caso, também escrevemos no computador, mas o papel que este tem é diferente.
E já agora, vamos antes usar a palavra “máquina” em vez da palavra “computador”. É que a palavra “máquina” tem muito mais estilo.
Então estás pronto/a para começar a escrever com a máquina?
Primeiro, responde a este breve questionário e depois segue para a próxima parte.