O ato de escrever costuma assustar muitas pessoas. Normalmente é encarado como uma tarefa difícil, árdua, complexa, morosa, e muitos outros adjetivos com uma carga mais negativa costumam ser usados. Não digo que seja mentira, contudo, creio que esta ideia acerca da escrita é uma ideia de quem teve pouca experiência com a escrita.

Da minha própria experiência, o que custa na escrita é começar, é decidir sentar-se com a folha em branco e ficar com ela o tempo suficiente para que as ideias e depois as palavras comecem a pousar (ou talvez seja ao contrário?). Mas o facto é que pousam sempre. E depois, é como as cerejas, palavras trazem palavras, que trazem palavras… No fundo, é uma questão de tempo e de fé (e não será tudo?).

Nesta semana, deixo-te com algumas reflexões sobre a escrita e sobre a escrita criativa/imaginativa, que talvez te poderão ajudar ao longo deste projeto.


«A escrita como trabalho, como luta, como prática continuada, como partilha será outro recado a transmitir, na medida em que se admite que este processo verbal, pelo que representa em termos de aprendizagem e de forte ligação à cognição, não pode ser somente o resultado da inspiração. Além disso, constitui um contributo ímpar para a instalação de uma reserva cognitiva que poderá trazer amplos benefícios em fases mais avançadas da nossa existência.»

Maria da Graça L. Castro Pinto
Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Univ. do Porto


«Toda a grande literatura é uma de duas histórias; um homem parte numa viagem ou um estranho chega a uma cidade.»

Leo Tolstoy


«Já várias vezes disse que há dois tipos de escritores, a quem chamo Arquitetos e Jardineiros. Os Arquitetos planeiam tudo atempadamente, como um verdadeiro arquiteto quando constrói uma casa. Um arquiteto constrói uma casa e sabe quantos quartos vai ter e quantos metros quadrados vai ter cada quarto, onde vão os canos, de que vai ser feito o telhado, as dimensões de todas as coisas, até o sítio das tomadas nas paredes. Ele sabe tudo antes de se pregar o primeiro prego, antes de se escavarem as fundações, e antes de as plantas serem aprovadas. Há escritores que trabalham desta maneira.

Não creio que que haja muitos escritores que sejam ou puros Arquitetos ou puros Jardineiros. Eu acho que a maior parte dos escritores é uma combinação dos dois. Mas tendem a inclinar-se mais para um lado ou mais para outro. E eu inclino-me muito para o lado do Jardineiro. »

George R. R. Martin
Escritor

(retirado de De: Jeff Vandermeer, Wonderbook: The Illustrated Guide To Creating Imaginative Fiction)


O PEIXE-PRÓLOGO
(retirado de: Jeff Vandermeer (2018). Wonderbook – The Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction) [tradução minha]

A PIRÂMIDE DE FREYTAG (1863)
(retirado de: Jeff Vandermeer (2018). Wonderbook – The Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction)[tradução minha]

THE HERO OF A THOUSAND FACES
Joseph Campbell (1949)
[tradução minha]